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Entrevista - Oscar Quiroga
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Nascido na Argentina em 1957, sob a influência do signo de Peixes, ascendente em Gêmeos e Lua em Touro, o astrólogo Oscar Quiroga ganhou popularidade no Brasil ao assinar, desde 1986, a coluna Astral do jornal O Estado de S. Paulo. Deixou o curso de medicina pela metade e formou-se em psicologia, mas nunca abandonou a astrologia, que pratica há 27 anos. Ele contribuiu para trazê-la a um patamar mais elevado, mas teve que conviver muito tempo com o desconhecimento, especialmente nos meios de comunicação, que consideram a astrologia entretenimento e não iluminação. Nesta entrevista, ele procura passar o que acredita ser a essência dela
Texto: Margarete Azevedo
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Não saia de casa sem lê-lo!
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Como surgiu o seu interesse pela astrologia?
A astrologia se interessou por mim antes que eu me interessasse por ela. Explico: diferentemente do que é hoje, nas décadas de 1970 e 1980, a astrologia não fazia parte do currículo de vocações. Ninguém responderia "quero ser astrólogo" diante da pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Eu treinei para ser médico, cursei a faculdade de medicina durante quatro anos e, por causa da situação política em 1978, tive de sair às pressas da Argentina e me radicar no Brasil. Formei-me em Psicologia na PUC-SP. Não tinha como perspectiva me tornar um astrólogo, mas me interessei pelo estudo, pesquisei e, à medida que pratiquei esse conhecimento, o personagem de astrólogo grudou em mim. Precisei escolher entre as duas profissões, ser astrólogo ou psicólogo, porém, elas têm muito pouco a ver entre si. A psicologia estuda os relacionamentos psicossociais de um ser humano e a astrologia o relacionamento cósmico de nossa espécie humana com o plano que rege o universo. Estou muito feliz por ter escolhido astrologia, e por ela ter me escolhido, pois é de fundamental importância superar os paradigmas individualistas que, inclusive, a profissão de psicólogo parece promover.
A astrologia é vista como ciência ou o astrólogo se restringe apenas a fazer horóscopo?
O conceito de ciência foi capturado dentro da ideologia positivista, que o limitou ao estudo e comprovação das manifestações objetivas, deixando de lado, neuroticamente, todo o âmbito das informações subjetivas que são de fundamental importância. A profissão de astrólogo não tem razão de ser limitada como ciência, arte ou o que quer que seja. Ela tem um lugar especial do ponto de vista de seu estudo.
Em algum momento a astrologia teve seus significados deturpados?
Sim, e isso foi feito de forma sistemática, pois o estudo da astrologia restitui o poder de nossa espécie humana de se relacionar diretamente com o plano que rege a evolução. A astrologia, por subverter e desintegrar a necessidade de ter intermediários para se relacionar com o ser, que chamamos Deus, é vista com maus olhos por qualquer religião instituída. Ela foi deturpada na Idade Média e, hoje em dia, ainda se dá valor a manuais de astrologia escritos naquela época.
A astrologia já foi, inclusive, associada ao charlatanismo.
Charlatanismo não é exclusivo da astrologia, é mérito de uma humanidade que escolheu acreditar na mentira. Ela é incapaz de fazer auto-exame em cada momento que pratica a mentira. Escolhe assuntos-chave, como a astrologia, para transferir a crítica que deveria fazer a outros temas, como, por exemplo, a política.
Ainda há profissionais supersticiosos e com falsos conceitos?
Há pessoas muito supersticiosas e mentirosas. Em cada um de nós há algo de mentiroso e supersticioso. Elas promovem superstição e mentira nas religiões, na ciência, no comércio, na comunicação, na política etc.
Durante esses anos, quais foram as dificuldades que você conseguiu superar?
Eu me dediquei em trazer a astrologia a um patamar mais elevado e, é claro, isso não é algo muito sensato de se fazer, é apenas vocação. Tive e tenho de nadar contra a corrente que engolfou a astrologia durante muito tempo, especialmente nos meios de comunicação, onde é tida como assunto de entretenimento e não de iluminação.
De que forma a previsão zodiacal influencia a vida das pessoas?
Não é quanto a previsão zodiacal influencia as pessoas e sim a comunicação de um plano que rege o universo inteiro. É uma informação que encontra lugar e sentido no coração de qualquer ser humano. Atualizar essa memória é de fundamental importância a todos.
Como observa o comportamento das pessoas em relação ao horóscopo?
É minha obrigação elevar a consciência delas a um patamar mais abrangente de compreensão da realidade. E fazê-lo através dos meios que me sejam dados e conquistados. Um destes é o horóscopo publicado em jornais e revistas. Ao cumprir essa obrigação, colho reações muito diversas. Há quem leia os enunciados e encontre pessimismo, mas também há quem os ache extremamente otimistas. Não é casualidade, pois elevar a consciência provoca reações violentas em quem faz de tudo para que isso não ocorra. Mas, para quem já treina esse conhecimento, as palavras, além de fazerem sentido, servem também para alentar o caminho.
Uma pessoa lê horóscopo e diz "isso foi escrito para mim", mas e as demais?
Os seres humanos são muito mais parecidos no que gostaríamos de admitir, já que nossas mentes foram lapidadas para nos convencer que todos somos diferentes. Essas diferenças são artificiais, produto de uma ideologia individualista. Para o cosmos, importamos como espécie e não como um conglomerado de "individuozinhos" pensantes. O grupo é mais importante do que a parte, e isso não nos rebaixa como pessoas. Ao contrário, resgata em nós o verdadeiro valor, que é o da solidariedade e do estabelecimento de vínculos cooperativos.
Os leitores do jornal assumem que lêem o horóscopo?
Ao longo destes anos escrevendo na coluna "Astral", testemunhei a transformação dos leitores em relação a esse espaço dos jornais. Hoje em dia, as pessoas lêem com muito respeito, pois os escritos fazem sentido para elas.
Qual é a importância da pessoa conhecer seu mapa astral?
A leitura de mapa astral, quando bem-feita, é a do papel que cada um cumpre no plano que rege a evolução do universo. O conhecimento dela beneficia quem tiver disposição de evoluir junto com esse universo.
Existem pessoas que, muitas vezes, acreditam que os problemas são determinados pelo cosmos. É fácil pensar dessa maneira?
Não é fácil pensar que haja uma força maior. Não é nada fácil passar pela experiência de ter de aceitar que nossa individualidade seja uma construção artificial, e que a realidade faz parte de um todo maior. Porém, tampouco se deve cair na tentação de abandonar-se aos desígnios maiores, porque somos responsáveis pela decisão que tomamos ou que deixamos de tomar. Nenhuma explicação a respeito do universo, seja ela astrológica, científica ou religiosa, esgota o complexo e intrincado funcionamento de um ser que conta com a eternidade para sua evolução.
Nos últimos anos houve um crescimento do interesse por ciências ocultas e temas espirituais. Isso faz parte da evolução do ser humano?
Sim, pois não é possível o ser humano evoluir sem valorizar o mundo subjetivo, que pode chamar de espírito, de alma, de pensamento, de imaginação ou do que quiser. Depois de um tenebroso tempo de excessiva valorização da manifestação objetiva, e de termos caído, como espécie, na tentação de tornar tudo mecânico, nossa humanidade recupera a busca da verdade no mundo abstrato. E isso é motivo de celebração, ainda que, às vezes, essa busca seja feita de forma grotesca. É melhor errar por se exceder na credulidade, do que por fazer de conta que nada ocorre, além dos cinco sentidos físicos, que é o mito dos céticos.
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