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Ponto final


Descendentes dos antigos povos vândalos ainda espalham o terror em terras brasileiras

E os bárbaros eram eles!


Vândalos, segundo o dicionário do Houaiss, foram um povo germânico que, por volta do século 5, invadiu o território da Hispânia e o norte da África. Destruíram tudo que encontraram pela frente até chegarem à beira do Saara, onde fundaram um reino. O primeiro decreto do rei Vandalberto I e da rainha Vanda foi proibir qualquer ato de vandalismo no reino. Quem discordasse que fosse vandalizar em outra freguesia. A princípio, todos concordaram, menos a oposição (sempre tem uma) comandada por Vandarlei, por acaso, primo-irmão de Vandalberto. Descontentes por não poderem mais vandalizar, abriram guerra contra o poder vandalicamente constituído. Aquilo virou um inferno, com o perdão da má palavra. O reino foi destruído e reconstruído mais de uma dezena de vezes até que o exército do rei pôs os homens de Vandarlei pra correr. Para as praias do Mediterrâneo, que ninguém é bobo (por mais vândalo que seja) de enfrentar o areião do Saara. Seqüestraram alguns barcos encontrados no porto, passaram pelas famosas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar) e se foram. Cruzaram o Atlântico e deram em terras brasileiras. Mal podiam acreditar no que viam. Maravilha das maravilhas: quase 9 milhões de quilômetros quadrados, ali, prontinhos para serem vandalizados!

A adaptação à nova terra foi fácil; complicado mesmo para os homens de Vandarlei foram os primeiros contatos com os nativos. Não pela aparência, pois os recém-chegados, humanóides ao que tudo indicava, andavam sob duas pernas e usavam os braços e mãos para comer e cometer outras atividades - alguns até dormiam em casas ou apartamentos. O problema maior era a comunicação. Eles grunhiam um som ininteligível, entre o vândalo, o latim e o anglo-saxônico misturado ao português. Tinham diferenças também no lazer. Ao contrário dos donos da terra (esportistas de carteirinha), os vândalos não praticavam nenhum esporte, embora os mais jovens gostassem de ir aos estádios usando camisas de times de futebol. Denominavam-se (lá na língua deles) "torcidas uniformizadas", apesar de permanecerem sempre de costas para o gramado, sem se importar, muitas vezes, com o resultado da partida. O que valia mesmo era "vandalizar", ou seja, acabar com tudo o que encontravam. Sedentos de destruição e aparentemente imunes aos rigores da lei, enfrentavam sem medo os policiais e não raro os punham para correr. Depois de ações isoladas, no século 21, protagonizaram uma grande ação em São Paulo, a mais importante cidade brasileira. A título de comemorar o resultado favorável numa decisão futebolística, armados de paus, pedras e dentes, eles acabaram parcialmente com a Avenida Paulista, cartão-postal da cidade. Não perdoaram "orelhões", bancas de jornais, postos de gasolina, lojas e nem canteiros. Vandólogos, antropólogos, psicólogos, sociólogos e outros logos respeitáveis debruçaram-se sobre o fenômeno. Nada concluíram, a não ser que o "vandalismo" é transmissível, até tem cura, mas precisa ser muito bem tratado...

Manoel Dorneles
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