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Caderno Especial
Kalunga em novos endereços

A inauguração de uma nova unidade em Curitiba (PR) pode ser considerada um marco para a Kalunga, afinal, esta é a sua primeira loja no sul do Brasil. Mas a abertura representa também a oportunidade de integração a uma das mais modernas e arrojadas cidades brasileiras. De uma cidade onde predominam o planejamento urbano, os cuidados com o ambiente e, acima de tudo, a preocupação com o ser humano
Existem cidades desenhadas caprichosamente pela natureza, cujos contornos já fazem parte do imaginário popular, casos do Rio de Janeiro e Salvador, onde o excesso de intervenção humana tem causado mais danos que benefícios. Há outras, que não foram aquinhoadas com as mesmas benesses do Criador, mas ganharam status e se transformaram no sonho de consumo de nove entre dez brasileiros, exatamente pelo trabalho correto do ser humano. Um destes exemplos é Curitiba, cidade que nasceu ao acaso no primeiro planalto do Paraná (934 metros acima do nível do mar), e que conseguiu a proeza de juntar homem, ambiente e espaço urbano na mais perfeita harmonia e organização.

Levaríamos uma revista inteira para divulgar os motivos que fazem a capital paranaense provocar tantos suspiros, mas o principal deles, sem dúvida, deve ser essa ânsia quase doentia do morador das grandes cidades de buscar a qualidade de vida. E viver com qualidade só é possímento, transportes coletivos, instituições de ensino, áreas verdes; enfim, toda a infra-estrutura oferecida por Curitiba. Para quem chega, por terra ou pelo ar, a cidade surpreende desde o primeiro contato, seja pelo clima agradável, seja pelo seu próprio funcionamento, uma das razões que a transformaram em pólo turístico.

Outra surpresa ao forasteiro interessado em se aprofundar mais nos meandros curitibanos é descobrir que, apesar de todas essas atrações, somente agora, em 2006, a cidade tem um orçamento exclusivo para o turismo - R$ 5 milhões. Mais: só no dia 1° de janeiro de 2005, ganhou a sua Secretaria Municipal de Turismo. Quem dá essa informação é o próprio secretário municipal de turismo, o empresário Luiz de Carvalho, que aceitou o desafio proposto pelo atual prefeito de colocar Curitiba no roteiro turístico nacional. Ciente das carências de belezas naturais, ele destaca o dado da revista Exame que, pela segunda vez consecutiva, elege Curitiba como "a melhor cidade brasileira para fazer negócios".

"Aqui, a mão do homem fez tudo, do planejamento urbano aos transportes, passando pelos cuidados ambientais. Tanto que Curitiba está entre as 60 melhores cidades do mundo para se viver, segundo a ONU", afirma Carvalho. Contribui para isso, entre outros predicados, o fato de que a reserva ambiental da cidade atualmente é de 54 m2 por habitante. Não por acaso, Curitiba foi escolhida para sediar agora em março um evento internacional de biodiversidade e biosegurança, que reunirá representantes de aproximadamente 200 países.

O secretário de turismo explica que sua tarefa hoje é mudar uma situação muito comum na cidade, após a realização dos eventos de negócios. "Aliado ao trabalho para fortalecer o turismo sustentável, queremos desenvolver ações voltadas para segurar o turista na cidade depois que o evento for encerrado. Com isso, ele vai gastar mais aqui", justifica. A primeira ação efetiva nessa direção, segundo ele, é melhorar ainda mais a já excelente estrutura da cidade. A aplicação correta dos recursos é um dos principais itens do projeto de marketing encomendado ao famoso catalão Joseph Chias, que desenvolveu trabalhos semelhantes para outras grandes metrópoles mundiais.

A indústria do turismo, no caso curitibano, gera negócios e tem impacto direto em cerca de 60 atividades econômicas, conforme Carvalho. É uma realidade que representa atualmente 10% do PIB municipal. Além disso, com 19 mil leitos em 155 hotéis, a capital paranaense já é o segundo maior parque hoteleiro do País. A qualidade do serviço oferecido, destacada pelo secretário, não invalida um outro dado importante representado pelo preço, que torna Curitiba 20% mais barata que as demais capitais brasileiras. "Aqui, ao contrário de outras cidades, não se paga nada para visitar parques e demais logradouros públicos, e o custo é alto. O turismo ainda não é tratado como negócio, e nós queremos torná-lo mais profissional, atraente e eficiente", acrescenta.

Carvalho enumera as atrações da cidade, a começar pelos seus 20 bem cuidados parques: Tangará, Jardim Botânico, Barigüi, Tingüi, Tanguá e Tropeiros, entre outros. Entre os logradouros, destaque para o teatro Ópera do Arame, Rua 24 Horas e Pedreira Paulo Leminski, que recebe anualmente 1,1 milhão de visitantes; e o bairro de Santa Felicidade, reduto da colônia italiana, conhecido por sua excelência gastronômica. A propósito, Curitiba abriga representantes de cerca de 50 países, que também deixam suas marcas na culinária e nos costumes locais. "Pretendemos organizar uma grande feira étnica na cidade, com elementos da gastronomia, da moda e do folclore de cada um desses países", comenta.

A comunicação adequada desse produto turismo também deverá ser uma das contribuições do projeto de Chias. Carvalho lembra que em paralelo ao implemento do turismo na área urbana, que inclui a instalação de 146 placas de sinalização, de acordo com as letras e códigos de padrões internacionais, desenvolve também um trabalho integrado de turismo com a região metropolitana. "Vamos recolher o visitante nas quatro entradas da cidade, além do aeroporto", comenta. Só nesta sinalização, já em fase final de implantação, foi investido cerca de R$ 1 milhão.

Negócios em alta
primeiro aspecto destacado pelos empresários paranaenses quando o assunto é negócios, em Curitiba, é a sua localização privilegiada, o que favorece a logística e a possibilidade de dali atingir grandes mercados. Seria esta, entre muitas outras, uma das razões de a cidade e seu entorno terem atraído nos últimos anos grandes companhias, principalmente, do setor automobilístico. Localizada a meio caminho entre o sul e o sudeste do País, o outrora ponto de parada dos tropeiros é hoje uma das principais bases no corredor que liga o Sudeste ao Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile), além do oeste brasileiro.

Outros fatores que realçam Curitiba no cenário econômico atual são o seu bem aparelhado aeroporto, o porto de Paranaguá, 70 quilômetros a leste, e uma excelente rede rodoferroviária. Juraci Barbosa Sobrinho, presidente da Curitiba S/A, lembra que o Paraná passou nos últimos 30 anos de um Estado essencialmente agrícola (ainda é um dos grandes produtores de grãos) para o segundo maior pólo automotivo brasileiro. "Sem falar que Curitiba é a segunda maior região do País em inovação tecnológica", emenda. A empresa dirigida por Sobrinho foi criada para cuidar do desenvolvimento da Cidade Industrial de Curitiba, o principal pólo fabril do Paraná, com 47,3 km2, e hoje equivale à secretaria da indústria e comércio do Estado.

A lista de vantagens relacionadas pelo executivo inclui também a renda per capita do curitibano (uma das mais altas do Brasil) e a concentração de universidades, que coloca Curitiba entre as seis mais desenvolvidas nesse contexto. Lembra ainda que é a capital mais próxima de São Paulo, a 400 quilômetros, e da proximidade com os centros industriais e comerciais paranaenses de Cianorte, Ponta Grossa e Guarapuava. Quanto à produção, o comércio concentra 43% da força curitibana, o setor de serviços 40% e os 17% restantes estão no setor industrial. "Hoje somos um dos centros mais desenvolvidos em tecnologia da informação e uma referência nacional na área de saúde", complementa.

Custo baixo
Com uma área de 430,9 km2, Curitiba tem uma população de 1,7 milhão (IBGE/2004). É importante ressaltar que, desse total, a maior parte está concentrada na faixa dos 4 aos 50 anos, ou seja, um público social e economicamente ativo. Pesquisas de 2002 colocam a cidade como o sétimo maior PIB entre os municípios brasileiros, responsável por 39% da arrecadação de ICMS do Paraná. Em 2000, a renda média dos responsáveis pelos domicílios particulares curitibanos permanentes chegava quase a R$ 1,5 mil, contra R$ 768,83 da média nacional.

À pergunta "por que investir em Curitiba?", Sobrinho avalia que se trata hoje de um dos mercados mais atrativos para negócios no País, sem os custos de São Paulo, por exemplo. "É mais barato e mais seguro e, além da proximidade com a capital paulista, conta com uma completa estrutura de serviços e equipamentos urbanos. Seu desenvolvimento baseia-se na criatividade urbanística, que tem como exemplo clássico a arborização. Com grandes parques e ruas arborizadas, o índice de verde per capita na cidade é de 54 m2", apregoa.

Curitiba conta também com um parque hoteleiro forte, segundo o executivo, barato e competitivo para eventos de negócios. Entre as empresas sediadas no município e região metropolitana, ele destaca o banco HSBC, a Esso, a Siemens, sem falar na Kraft, Votorantim ou no complexo da Petrobras de Araucária. Este é apenas um lado da capital paranaense, que tem 98% de sua capacidade produtiva distribuída entre micro e pequenas empresas.

As oscilações do mercado de trabalho em âmbito nacional não atingiram diretamente Curitiba, a quinta cidade brasileira em oferta de empregos. No contexto atual, o índice de desemprego no município é de 9%. Sobrinho atribui esse número aos reflexos da industrialização e comenta que sua pasta executa um trabalho sistemático com o objetivo de capacitar mão-de-obra. Ele complementa seus dados com a informação de que, enquanto o Estado do Paraná apresenta um índice de crescimento econômico de 6%, a capital e sua região metropolitana flutuam nas faixas de 8% e 10%, respectivamente.

Herança dos tropeiros
Quem caminha pelas ruas de Curitiba vê aqui e ali alguns pés de araucária nos quintais e logradouros públicos, remanescentes do que foi outrora a "Terra dos Pinheirais". O nome Curitiba é creditado aos tupi-guaranis e jês, primeiros habitantes da região, que juntaram o termo coré (pinhão) e etuba (muito) ou kur (muito), yt (árvore) e yba (grande quantidade). Como penitência pelo corte dos pinheirais, sacrificados em nome do desenvolvimento, os curitibanos transformaram sua cidade séculos mais tarde num dos principais redutos do verde no Brasil.

De volta à história, o primeiro registro oficial de Curitiba data de 29 de março de 1693, quando o capitão Matheus Martins Leme promoveu a primeira eleição para a câmara dos vereadores e a instalação da então Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. A principal atividade econômica da região era a mineração. Em paralelo, tropeiros e condutores de gado em trânsito entre Viamão, no Rio Grande do Sul, e Sorocaba (SP), de onde os animais eram levados às Minas Geraes, acampavam nos "campos de Curitiba" e aproveitavam o inverno para fazer negócios.

Além do comércio, os viajantes introduziram na região, entre outros costumes, a erva-mate na forma de chimarrão, o uso dos ponchos de lã e a carne assada. O mate acabou se tornando um outro evento econômico aos moradores, bem como a exploração da madeira. A expansão dos negócios resultou na abertura de estradas e, principalmente, na construção da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba, que corta a Serra do Mar, já no final do século 19. Neste trabalho, já era forte a presença da mão-de-obra especializada de imigrantes europeus, que começaram a chegar em massa desde meados dos anos 1800. Aos colonizadores portugueses e espanhóis, juntaram-se os alemães e italianos; mais tarde, árabes, ucranianos, poloneses e os japoneses, estes a partir da primeira década do século 20.

Ao mate, seguiu-se a cultura do café, que se espalhou pelo norte do Estado, onde fez surgir várias cidades. Ao fim do ciclo cafeeiro, em decorrência da geada negra após julho de 1975, sucedeu a soja, que, aliada ao milho e ao feijão, transformou o Paraná num dos grandes produtores de grãos do Brasil. Com a mecanização da cultura da soja, muitos trabalhadores migraram para a capital, o que levou a administração a uma série de iniciativas para evitar o caos urbano. A principal delas, sem dúvida, foi a gestão municipal centrada no homem, hoje, uma das marcas da cidade.

Última chamada para boas compras
À modernidade do planejamento urbano, qualidade de vida dos habitantes e preservação ambiental, marcas registradas de Curitiba, podemos acrescentar o Shopping Estação, no centro da cidade. O empreendimento, ora controlado pela empresa de cosméticos O Boticário, ocupa um prédio histórico - a antiga estação ferroviária municipal -, que ganhou contornos modernos, além de um requintado centro de convenções. A nova fachada, finalizada em 2004, foi inspirada nas linhas do Museu D'Orsay, de Paris. A mais recente aquisição do shopping é a Kalunga, a maior rede brasileira de materiais escolares e produtos para escritório e informática, que ocupa uma área de 800 m2, no piso térreo.

A chegada da Kalunga é festejada pelo superintendente comercial Marco Aurélio Jardim Filho, para quem os curitibanos se ressentiam da falta de uma loja desse nível. "É a fome com a vontade de comer", brinca "Marcão", como é mais conhecido. Por falar em comer, ele exalta as vantagens do shop-ping, cuja praça de alimentação oferece 1.300 lugares e atrai, no horário comercial, grande parte do público que trabalha nas imediações. O prédio fica na Avenida Sete de Setembro, 2.775, centro de Curitiba. À noite e nos fins de semana, há presença maior de famílias, que elegeram o local como ponto de encontro, compras e lazer.

Essa freqüência garante a média mensal de 700 mil pessoas pelos corredores do prédio, que também têm à disposição mais de 200 lojas, 10 salas de cinema, teatros e museus. O estacionamento coberto comporta 1.800 veículos. Tido como o de maior ticket médio dentro de seu segmento, o Shopping Estação tem um fluxo qualificado de profissionais, predominantemente nas faixas B/C2, jovem (18 a 30 anos), e em sua maioria (66%) composto por mulheres.

Entre as atrações culturais, estão o Teatro Regina Vogue, Teatro de Bonecos, Dr. Botica, Espaço do Perfume, Espaço das Artes, Estação Natureza (Fundação O Boticário de Proteção à Natureza), Museu da Farmácia e Museu Ferroviário. Além do Espaço das Artes, que reúne os principais artistas plásticos paranaenses, abriga o Estação Embratel Convention Center, considerado o mais moderno centro de convenções da América Latina. Destaque para a maior cobertura de vidro entre os shoppings do Brasil, com 10 mil m2, que garante iluminação natural.

Inaugurado em 30 de março de 2004, numa área de 25 mil m2, o centro de convenções do Shopping Estação destina-se a congressos, seminários, feiras, shows, casamentos, formaturas etc. Como suporte oferece aos clientes tecnologia, serviços inteligentes, modernidade, inovação, flexibilidade, espaços exclusivos e localização privilegiada. Com a moderna tecnologia implementada, há espaço para videoconferências em tempo real, instalação de pontos de rede Wi-Fi para acesso sem fio à Internet, sistema de cabeamento para instalação de equipamentos, computadores e todos os sistemas de telefonia.
Um avanço tecnológico

A Kalunga abre as portas em São José dos Campos, cidade reconhecida pela importância de suas pesquisas e indústrias de ponta nos principais setores da atividade humana
Há diversos caminhos para chegar a São José dos Campos, a principal cidade do Vale do Paraíba. Pela tradicional Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro; pela Rodovia Ayrton Senna e depois Carvalho Pinto, também saindo de São Paulo; pela D. Pedro I, para quem vem do interior de São Paulo; e pela infoway ou Internet. Internet? Nada de surpresas quando se trata da cidade detentora do maior pólo de pesquisa e produção de tecnologia do País. Além de aviões, exportados para os cinco continentes, e satélites, espalham-se pelo município mais de 700 indústrias dos setores automobilístico, farmacêutico e eletroeletrônico. A novidade é a recente implantação de um novo pólo de produção voltado às telecomunicações.

Para chegar a São José dos Campos, a Kalunga escolheu o caminho que há 34 anos vem dando resultados satisfatórios para a empresa: uma grande loja de auto-serviços, com mais de 10 mil itens em materiais escolares e produtos para escritório e informática. Endereço: Av. Dr. Nelson D`Ávila, 1.005, Centro. Com isso, integra-se a um dos mais importantes pólos comerciais do País. Uma região que possui mais de 2,2 milhões de habitantes, formada pelas cidades do Vale do Paraíba, do Litoral Norte paulista e da Serra da Mantiqueira. Estão localizados no município cinco shopping centers, centenas de lojas e filiais dos maiores empreendimentos varejistas brasileiros.

A força econômica de São José pode ser creditada inicialmente à sua excelente localização. Às margens da Rodovia Presidente Dutra, a apenas 80 quilômetros de São Paulo e a 320 quilômetros do Rio de Janeiro, o município ocupa uma área de 1.142 km2. É passagem quase obrigatória para quem vai ao Litoral Norte e a Campos do Jordão, dos quais dista 90 quilômetros. Tem uma população de mais de 500 mil habitantes, distribuídos por dois distritos (São Francisco Xavier e Eugênio de Melo) e dois subdistritos (Santana e Centro), além de 280 bairros.

A Dutra, inaugurada em 1950, contribuiu para o desenvolvimento de São José, da mesma forma que a instalação do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). Ele engloba o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto de Atividades Espaciais (IFI), o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial e o Instituto de Estudos Avançados (IEAv). No rastro do CTA vieram mais empresas do setor aeroespacial, como Avibrás e Embraer. Outro marco de tecnologia avançada instalado no município é o Instituto Nacional de Pesquisas Avançadas (INPE), centro de excelência em pesquisa e desenvolvimento para a utilização de tecnologia espacial.

Um centro de pesquisa também importante no município é a Univap, que reúne alunos da pré-escola à universidade. Além do ITA e da Univap, outras universidades fazem de São José um grande pólo educacional, que atrai estudantes do Vale, Litoral, sul de Minas e de outras regiões do Brasil.

Origem na fazenda

As terras onde se localiza hoje São José dos Campos pertenciam a uma fazenda de criação de gado, concedida em sesmaria aos jesuítas, em 1590, que se estendia às margens do Rio Comprido, atual divisa do município com Jacareí. Na verdade, não era bem uma fazenda, mas uma missão usada pelos padres para catequizar os índios e protegê-los das caçadas dos bandeirantes. Os aldeados se dispersaram em 1640, quando os jesuítas foram expulsos pelos colonos. Os padres reapareceram na região anos mais tarde em nova sesmaria, 15 quilômetros a nordeste da aldeia velha, onde hoje está o centro comercial.

É obra do jesuíta Manoel de Leão o plano teórico e prático da nova aldeia, que ganhou o nome de "Residência do Paraíba do Sul", em 1692; e quatro anos depois, "Residência de São José". O ciclo da mineração cria dificuldades ao aldeamento que perde braços para os trabalhos nas minas. Os jesuítas voltam a ser expulsos, desta vez do País, em 1759, quando os bens da Ordem, as fazendas, o colégio e a aldeia passam para a custódia da Coroa. Em 27 de julho de 1767, o governador D. Luís Antonio de Souza Botelho formalizou a Vila de São José do Paraíba, com a autorização do Vice-Rei do Brasil.

A vila não evolui como se esperava, pois fica distante da Estrada Real. O progresso chega só em meados do século 19, com a cultura do algodão. Em 22 de abril de 1864, é elevada à categoria de cidade e. em 1871, recebe a denominação de São José dos Campos. Em paralelo, desenvolve-se a cultura cafeeira no Vale do Paraíba, mas só em 1877, com a chegada da estrada de ferro, a produção do município atinge o auge. Com a decadência do café, São José passa a ser procurado para tratamento de tuberculose, pela excelência de seu clima. Mas foi só em 1935, quando virou estância hidromineral, que o município passou a receber recursos para serem aplicados na área sanatorial. O processo de industrialização do município toma impulso a partir de 1950, com a instalação do Centro Técnico de Aeronaútica (CTA), além da inauguração da Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.

Lazer e turismo

Pode ser intensa a vida cultural do são-joseense. À sua disposição, ele tem uma Fundação Cultural, o Museu Municipal, galerias de arte, centros de exposição, casas de cultura, Teatro Municipal, cineteatros, cinemas, emissoras de rádio e TV, jornais com circulação regional e diversas bibliotecas. Além das instalações do Sesc e Sesi, há pistas para competições de bicicross e kart e outros espaços à disposição da comunidade, como quadras de esporte, campos de futebol e centros comunitários; e o Parque Santos Dumont, com 46 mil m2.

Outra atração é a linha turística "Conheça São José", resultado de um convênio entre a prefeitura e o Conselho Municipal de Turismo, que percorre vários pontos históricos da cidade. O passeio é feito num microônibus de 22 lugares com ar condicionado, que circula aos sábados, domingos e feriados, em dois horários, num percurso de 2h45. Entre as paradas, estão o prédio da antiga Coletoria e Colégio Olympio Brandão, Biblioteca Municipal Cassiano Ricardo, Mercado Municipal, Igreja Matriz, Casa de Cultura Caipira Zé Mira, Centro Tecnológico da Aeronáutica, INPE e Museu Aeroespacial Brasileiro.

Distante 59 quilômetros do centro da cidade, no entanto, está o principal point de turismo de São José. Com 29% total da área do município (a maior parte dela de Proteção Ambiental da Mantiqueira), e pouco mais de 3 mil habitantes, o distrito de São Francisco Xavier atrai turistas de todo o Estado e de outras regiões do Sudeste. Há muito o que ver e visitar na região, com destaque para a Serra do Queixo D´Anta, a 1.600 metros de altitude, de onde se tem uma visão panorâmica de todo o Vale do Paraíba; a Serra de Santa Bárbara (1.578 m); o Pico Selado (2.082 m), próprio para a prática do alpinismo; e a Pedra Chapéu do Bispo (1.913 m), onde chega a cair neve no inverno.

São Francisco Xavier tem alambiques tradicionais e diversas trilhas ecológicas. Entre as cachoeiras, as principais são a de São Francisco (15 m de altura), do Roncador (45 m), das Couves (15 m), do Turvo e do Sabão, com 25 metros. A localidade tem inúmeras pousadas, que lotam nos finais de semanas e feriados, além de campings. A região tem na preservação ambiental sua principal meta e, como símbolo desse movimento, foi eleito o Muriqui ou mono-carvoeiro, macaco ainda comum nas matas da região, mas já ameaçado de extinção.

Força regional

Reconhecida pela força de sua indústria, São José dos Campos avança também no setor de comércio, em decorrência de sua localização geográfica privilegiada, o que transforma a cidade num centro regional de compras. De olho numa população de mais de 2,2 milhões, distribuída pelo Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, grandes redes de hipermercados instalaram filiais no município em 2005 num investimento de mais de R$ 90 milhões.

A revelação é de Claudir Bustamante, presidente da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos (ACISJC), que destaca como principais áreas de comércio a alimentação, a construção civil e as lojas populares. Segundo avalia, a chegada de uma grande rede como a Kalunga ajudará a reforçar ainda mais essa vocação da cidade como pólo de atração de consumo para toda a região. "Além disso, será mais uma opção de consumo diferenciado para os usuários. Uma empresa desse porte contribui para o desenvolvimento do município antes mesmo de abrir as portas, gerando benefício para todos", acrescenta.

Bustamante vê uma concorrência saudável entre os shopping centers (são cinco no município) e o comércio de rua. "Após a revitalização do centro e instalação de uma central integrada de segurança, com câmeras de vídeo em pontos estratégicos, as lojas de rua também se tornaram uma boa opção de compra. Muitos consumidores abrem mão do conforto oferecido pelos shoppings em busca de preços mais acessíveis", esclarece.

À frente da ACI, Bustamante informa que a entidade possui atualmente 1.500 empresas filiadas. Segundo ele, o papel da associação, em 70 anos de atividades, é de suma importância para o desenvolvimento do município, pois ela participa diretamente na vida classista empresarial. Ao mesmo tempo, atua na reformulação de políticas de atração de novas empresas, como forma de gerar empregos e renda para a cidade. Entre outras realizações, destaca que a ACI serviu de base para a implantação da regional do sistema Fiesp/Ciesp, do sindicato do comércio varejista e da associação dos comerciantes de material de construção, entre outros.
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