MEUS PEDIDOS MINHA CONTA CADASTRO DÚVIDAS LOJAS KALUNGA ATENDIMENTO
Busca de Cartuchos   Cotações On-Line

Digita aqui a sua busca

Saúde


Cerca de 3 milhões de brasileiros sofrem de psoríase, uma doença de pele de caráter hereditário, que pode ser combatida com a luz do sol. Por puro preconceito, há quem insista em ocultá-la

Deixe o SOL bater!


Muitas vezes confundida com vitiligo ou lepra (hanseníase), a psoríase é uma doença de pele que atinge cerca de 2% da população mundial, independentemente da raça, classe social e idade. Apesar dessa incidência considerável, a maioria das pessoas sequer sabe diferenciá-la de outros problemas de pele. E quem sabe ou sofre do mal, pelo menos no Brasil, faz de tudo para escondê-lo, segundo o dermatologista Cid Yazigi Sabbag, diretor do Centro Brasileiro de Psoríase, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e médico voluntário do Ambulatório de Psoríase do Instituto da Pele, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Atitudes dessa natureza apenas disseminam o preconceito e aumentam a desinformação. “Nos Estados Unidos e Europa, ao ser indagada sobre o que tem no cotovelo, a pessoa assume que é psoríase. Ao contrário do Brasil, lá, a população reconhece que se trata de uma doença hereditária, não contagiosa. Aqui, eu dou atestado médico autorizando o paciente a freqüentar a piscina. Mesmo assim, quando ele entra na água, todo mundo vai embora”, comenta.

A reação do paciente à doença justifica o seu nome. O termo psora vem do grego, e significa sarnento, que coça. Por mais de 1.200 anos, até o século 18, a psoríase foi confundida com a lepra. Ela provoca lesões vermelhas e descamativas, em geral, de formas arredondadas ou ovais, e em alguns casos, elevadas. Atingem com freqüência os cotovelos, joelhos e o couro cabeludo, porém, podem tomar outras regiões do corpo, inclusive, unhas. Em casos mais raros, o corpo todo.

Imprevisível
“Trata-se de uma inflamação crônica e recorrente das células da pele, chamadas queratinócitos. O aumento exagerado da produção dessas células faz com que se acumulem na superfície formando placas avermelhadas e com escamas esbranquiçadas. É como se fosse uma parafina de vela que deixa a pele grossa nessas áreas. Quem vê fica constrangido e quem possui procura escondê-las”, explica Sabbag.

É impossível prever quando uma pessoa será acometida pela doença, nem se pode precisar quando ela pode surgir. “O seu curso é im­pre­­visível. Em geral, persiste em surtos durante vários anos ou até décadas ou pode desaparecer espontaneamente”, diz o especialista. Apesar de uma de suas características ser a hereditariedade, há famílias em que ela não aparece. Pode tam­bém ser desencadeada por germes, bactérias, fungo ou vírus. Remédios à base de corticóides (corti­sona) podem levar ao surgimento ou piorar as lesões. O sistema emocional tanto contribui para a formação das placas, quanto pode ajudar no controle da doença. “Aprendi ao longo de 15 anos de prática a dar especial atenção ao emocional, lembrando a célebre e esquecida frase de Hipócrates (460 a.C.): ‘Não há doenças e sim doentes.’”

Além das formas citadas, existem a psoríase ungueal, que atinge uma ou todas as unhas; das muco­sas, que pode ser confundida com conjuntivite crônica, infecção ou alergia; a pustulosa, nesse caso, as lesões eritemato-escamosas apresentam pus; psoríase eritrodérmica, com muitas lesões avermelhadas e leve descamação espalhada pelo corpo. “Em 15% e 20% das pessoas infec­tadas, ela pode ocorrer na articulação. É a chamada artropá­tica ou artrite psoriática. É importante o diagnóstico precoce porque, caso não seja feito um tratamento correto, há degeneração da articulação para o resto da vida”, alerta o médico.

Como as lesões não se manifestam sempre da mesma maneira, existem muitos pacientes que receberam diagnósticos errados, como eczema, alergia, intoxicação alimentar, micose. “Há casos no couro cabeludo que são tratados como caspa, dermatite ou seborréia. Na maior parte das vezes, a pessoa segue o tratamento anos a fio, muda de dermatologista, entra com outro medicamento e não tem melhora do quadro. O fato de ser parecida com várias doenças que deixam a pele vermelha e descamativa também prejudica o diagnóstico”, esclarece Sabbag.

O médico aconselha a procurar um especialista caso ocorra alguma alteração cutânea. Alerta para que não seja aplicado nenhum produto, para não mascarar o problema. Ele revela que o único diagnóstico comprovatório é por meio da biópsia da lesão. “O exame só é solicitado quando há dúvida com outras doenças. Em 90% dos casos, um bom dermatologista dispensa o procedimento”, menciona.

Tratamento
Por se tratar de uma doença crô­nica e de difícil controle, a pso­ríase provoca mudanças de comportamento e de personalidade. A pessoa se fecha, começa a engordar porque não tem mais auto-estima. Mesmo durante o verão fica coberta de roupas. “Com essa atitude, perde a oportunidade de se expor ao sol, que ajuda no tratamento. Mais complicado torna-se a vida de um adolescente, que está iniciando sua vida afetiva e sexual. O mesmo se dá em relação às crianças, que terão mais anos de enfrentamento da doença. Como explicar aos outros que não é contagiosa e não causará nenhuma degeneração ou câncer?”, indaga Sabbag.

O médico lembra que ainda não há cura para a doença. Nos últimos anos, contudo, vêm sendo desenvolvidos medicamentos cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Eles agem no sistema imunológico, controlando a psoríase e a psoríase artropática. “Hoje, o custo do tratamento é de cerca de US$ 2 mil mensais. Esse é o maior efeito colateral”, diz. Além disso, as formas de tratamentos não são iguais para todos. Variam conforme o grau da doença.

“É importante salientar que os cremes com cortisona, de uso tópico, devem ser evitados, porque se ajudam a melhorar rápido, também podem fazer piorar – o chamado efeito rebote – e até criar resistência à melhora. Para casos mais disseminados, pode-se usar a fototerapia com luz artificial ultravioleta, tipo A ou B”, orienta Sabbag.

Todos os pacientes se beneficiam com o uso de hidratantes nas áreas lesadas e banhos de sol. “Quanto mais sol, com moderação, e creme hidratante diariamente melhor. É recomendado não mexer, coçar e arrancar as escamas”, finaliza o especialista. (M.A.)

Serviço
O Centro Brasileiro de Psoríase (CBP) foi fundado em São Paulo, em 2001, para auxiliar os pacientes, cerca de 3 milhões de brasileiros, e promover a integração de médicos de todo País, além das autoridades em políticas de saúde. Anualmente, a entidade organiza, em parceria com a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de São Paulo, os grandes Encontros Municipais para pessoas com psoríase, seus familiares e profissionais das áreas de saúde e estética.

O 2º Encontro Nacional, este ano, será realizado no dia 26 de agosto, na Câmara Municipal de São Paulo.

Mais informações:
Centro Brasileiro de Psoríase www.cbp.med.br
Tels.: (11) 3284-6662 e 3288-3607
<Voltar ao Índice>


 
Digita aqui a sua busca