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Vida moderna


Cláudio Duarte (*) fala de quando um novo mundo desperta em nosso interior e de quando (e como) percebemos a presença de Deus

Estado de ioga


Não sei se todas as pessoas que lerem este artigo irão entendê-lo com a devida clareza, pois é necessário praticar Yóga Clássico por longo tempo, continuamente, para se atingir "o estado de ioga". O que ocorre após este "longo tempo" é algo profundo, interior, porém, totalmente consciente. É difícil descrever se é um tipo de sentimento, de sensação ou um estado alterado de superconsciência, mas, definitivamente, é algo diferente. Espiritual, profundamente espiritual, e que pode ser traduzido como uma paz, um silêncio, uma harmonia. Nada mais nos incomoda, nada mais tem falso valor, embora continuemos vivendo no meio do mundo mundano, nos vestindo normalmente, trabalhando, estudando, viajando.

Mas algo mudou para sempre dentro de nós e, nesse "estado de ioga", percebemos Deus, sentimos Deus, vibramos Deus, pulsamos Deus. E até mesmo podemos pensar sobre Deus de uma outra forma, com uma outra visão, sob outros princípios sagrados. É como se tivéssemos redescoberto algo muito antigo, sobre o qual já havíamos nos esquecido e, por conta deste terrível esquecimento, acabamos tornando o mundo pior, mesquinho, mais invejoso e mais egocêntrico. Porém, quando um único ser atinge "o estado de ioga", ele pode produzir fantásticas transformações ao seu redor, como ver de outra forma, falar uma outra língua, ouvir de maneira diferente, pensar de um modo mais sereno e mais profundo.

Mas é preciso uma grande persistência para atingir esse estado. É necessário um imenso esforço interior para descobrir a real existência de Deus em todas as coisas. É preciso acreditar, sem medo, que é possível melhorar, mudar, amar e ser feliz. Porém, antes, é imprescindível reunir todas as forças interiores e começar a praticar, ou seja, vencer cada pequeno desafio ou obstáculo. Quando se atinge "o estado de ioga", descobre-se que ele é o mais profundo mergulho no ser em sua própria alma.

Lá, onde não há tristeza, nem sofrimento e nem dor; onde o sol brilha eternamente, produzindo o mais puro e verdadeiro amor, e onde as estrelas permanecem no céu cintilando um azul-púrpura. Onde não há sede de nada e as batidas do coração emitem o som sagrado do "OM". Onde o cego pode ver, o surdo pode ouvir e a fala é o doce sussurro de uma eterna poesia!

A respeito desta fantástica experiência existencial, que está ao alcance de qualquer ser humano, gostaria de citar alguns trechos de um livro antigo da Índia chamado O livro de amor do amado de Mira. Ele conta a história verdadeira de um casal praticante de Yóga Clássico que evoluiu chegando a um ponto muito avançado, mas foi separado pela transmigração prematura de Mira, em função de uma dura passagem cármica. Muitos trechos descrevem visões cósmicas ou momentos de superconsciência dos dois praticantes. Eles vinham à tona, e ele tentava transcrever em palavras todas aquelas visões e percepções, para que as pessoas pudessem compreender melhor e ter outra concepção do mundo.

Quando a poesia brota da alma
Trecho número um da terceira parte: "Hoje, após um longo período de prática, olhando para o meu próprio interior perguntei: onde está o Sol agora? Onde está a voz distante do trovão? Onde estão as nuvens brancas? Onde se encontra o conhecimento que estava contido no meu coração? Quem sabe em uma floresta tão antiga quanto o tempo, a floresta do meu próprio coração!"

Trecho número dois da terceira parte: "Se você quiser saber onde está Deus neste momento, pergunte às flores. Se você quiser saber onde está Deus neste momento, pergunte às estrelas peregrinas que transitam alegres pelos céus.

Se você quiser saber onde está Deus neste momento, pergunte à chuva fina que cai serena e torna a floresta mais verde, mais intensa e mais feliz. Que faz os riachos serpenteantes correrem alegres e com mais pressa em direção ao grande Rio Sushumna.

Pergunte também ao mar revolto, com suas gigantes ondas interiores que agitam os vórtices de energias e que transmutam as cores das vibrações. Pergunte ainda ao vento solar que sopra na imensidão do deserto de Thar, onde uma mulher misteriosa caminha sem deixar marcas das suas pegadas na areia, cujo olhar meigo e profundo apaga todas as mágoas do coração humano de quem ousar fitá-la.

Vá mais longe: pergunte ao tempo cósmico que eternamente controla o tempo menor e o espaço, que, antes de tudo, ele gerou a causa primordial. Mas você pode seguir outro caminho, mais fácil, mais próximo e mais acessível.

Se você ainda quer saber onde habita Deus, olhe para o seu interior e pergunte ao seu coração selvagem, pois ali, em Anahata, residem todas as respostas sobre o gênero e a natureza humana. Então, todas as soluções estão ali em Anahata, onde reside a paz eterna e celestial. Ali habita Deus, aquele que vê com os olhos da alma e sorri com o brilho das estrelas!"

Para as pessoas que querem se iniciar no Yóga Clássico, sugiro o Hatha Yóga, pois é o melhor e o mais seguro para os principiantes em todos os sentidos. Lembre-se, o amor é a poesia da alma! Até a próxima e Namastê!

(*) O autor é presidente da Associação Brasileira de Yóga (ABY)
Fone: (11) 3288-8860
www.yogaclassico.com.br
www.baraodoyoga.cjb.net
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