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Viagem
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Na cidade chilena, a 870 quilômetros de Santiago, o destaque é o vulcão Villarrica (foto), ainda ativo, que pode ser visto de qualquer parte dela. Mas é preciso fôlego para desfrutar de suas outras múltiplas atrações
Texto e fotos: Manoel Dorneles
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Pucón, o prazer é todo nosso!
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Os espanhóis lutaram durante mais de 300 anos contra os mapuches para conquistar a região de Pucón, 870 quilômetros ao sul de Santiago (Chile). Há muitas dúvidas ainda hoje se os índios se consideram de fato derrotados, mas nenhuma sobre as razões da obstinação dos europeus. Afinal, em que lugar do mundo é possível encontrar reunidos um extenso lago de água doce e cristalina, vegetação verde e constante, rios abundantes, próprios à pesca e à prática de esportes radicais, inúmeras cachoeiras, uma dezena de termas, uma estação de esqui e um vulcão?
Alguém pode dizer que o Chile tem uma coleção de vulcões, mas dificilmente haverá algum mais charmoso que o Villarrica, com seus 2.847 metros, coberto de neve no seu topo, a vigiar diuturnamente a cidade de Pucón. Não fosse pela fumacinha que costuma expelir, como um aviso sobre sua atividade constante, é uma montanha e tanto, quase um totem para os locais e um pólo de atração irresistível aos visitantes.
A região começa a ser revelada já na estrada que margeia o lago homônimo do vulcão e liga o aeroporto da cidade de Temuco a Pucón, passando por Villarrica (40 mil habitantes). É final de verão. Durante cerca de uma hora, vêem-se pastagens muito verdes com gado de origem européia, bosques de pinus, coníferas, coihue e avelãzeiras. A paisagem ora faz lembrar o Canadá, ora a Nova Zelândia. A madeira está presente em praticamente todas as casas, das fazendas ou da cidade, seja nas paredes, seja apenas como parte da decoração.
As ruas planas, limpas e arborizadas e os canteiros bem cuidados de Pucón são um convite ao passeio, a pé ou de bicicleta. De qualquer ângulo, avista-se o vulcão ou o lago, com suas praias de areias escuras. Pucón, cujo nome em mapudungun (o idioma mapuche) quer dizer "entrada da cordilheira", tem cerca de 15 mil habitantes. No verão ou no inverno, durante a temporada de esqui, a população triplica, mas a cidade e seu entorno possuem uma boa infra-estrutura hoteleira.
Fôlego
Pela avenida principal, a Bernard O'Higgins, é fácil descobrir a vocação de Pucón, repleta de turistas, principalmente europeus. Há inúmeros restaurantes, cafés e muitas agências, onde se vendem os pacotes para esqui (no inverno), termas, pesca de truta, rafting, tirolesa ou canopy ("sobre as árvores" para os mapuches), cavalgadas e o filé: a subida ao vulcão. Aqui, uma pausa para tomar fôlego: se o tempo estiver bom (pode estar na cidade, mas não lá em cima), o programa dura cerca de nove horas.
Uma hora de van até a base a 1.200 metros; mais 200 metros de teleférico; e o restante, pouco mais de 1.400 metros, numa caminhada por sobre o gelo que pode durar de quatro a cinco horas. A recompensa para quem chega ao topo vem na simples contemplação da cratera fumegante e na paisagem. De lá se avista toda a região, sete lagos e mais dois vulcões.
Aos condenados pelos caprichos do clima a não ascender, resta o consolo de visitar as covas vulcânicas, bem mais abaixo. Na verdade, são cavernas de até 90 metros de profundidade, formadas pelas lavas do Villarrica, e que hoje ajudam a entender o comportamento de um vulcão. Iluminadas artificialmente, elas podem ser percorridas com o auxílio de um guia. Aparelhos modernos controlam o tempo todo o nível do magma, conforme o guia, por isso o risco aos puconenses é pequeno. Caso fuja ao controle, no entanto, esclarece que a tendência da lava é descer sempre pelos mesmos caminhos, a uma velocidade bem menor que a do homem.
A cidade em quatro estações
Quem viajar nesta época do ano a Pucón encontrará o clima ameno do outono, com o sol forte ao meio-dia e frio pela manhã e à noite. Enquanto se prepara para a temporada de esqui, a partir de junho, a cidade continua a oferecer inúmeras outras atrações para todas as estações. A 21 quilômetros de Pucón, por exemplo, estão o Ojos del Caburgua, águas subterrâneas provenientes do Lago Caburgua, que afloram em vários pontos, formando diversas quedas d'água. É preciso cuidado para não se perder nos diversos tons azulados das águas, com destaque para a Lagoa Azul, de um azul-turquesa intenso.
Termas
Alguns quilômetros à frente, estão as termas de Huife, cortadas pelo Rio Liucura, outro convite ao relax total. As águas quentes de origem vulcânica são coletadas nas montanhas do Parque Nacional Huerquehue e abastecem três piscinas, uma delas coberta, com hidromassagem. Pode-se passar o dia ou, então, hospedar-se no hotel, que conta com vários chalés e um sofisticado restaurante.
Truta
As montanhas de Huerquehue são margeadas por diversos lagos, entre eles o Tinquilco, escondido entre bosques de araucária e coihue, propício à pesca da truta. Proprietário de uma grande área ao redor do lago, o franco-chileno Carlos Richard instalou várias cabanas rústicas para receber pescadores. No restaurante rústico, o visitante também pode apreciar pratos à base do peixe mais famoso na região.
Fazenda
Poucas vezes um título e um sobrenome foram tão bem empregados, como no caso de Dom Mário Cortez, proprietário da fazenda de agroturismo ou Fundo Huifquenco. A apenas 500 metros da cidade de Villarrica, a fazenda de 800 hectares é um lugar ideal para apreciar um bom assado de cordeiro, cavalgar, pescar e andar de bicicleta ou de canoa. Disposto, Dom Mário, 70 anos passados, faz as honras da casa no almoço e, a depender do dia, acompanha os visitantes na cavalgada. A paisagem, que inclui o vulcão Villarrica, vai do gado nos pastos irrigados até animais selvagens, passando pela cidade abaixo e um belo rio nos fundos.
Radicais
A poucos quilômetros de Pucón, a caminho de Caburgua, estão os rios Trancura e Liucura. O primeiro tem como características águas tranqüilas, alternadas com corredeiras de níveis 3 a 4, ideais à prática do rafting. A descida de aproximadamente 11 quilômetros dura cerca de uma hora e meia. Já o Liucura, afluente do Trancura, abriga nas suas margens o Bosque Aventura, onde se pratica o canopy (sobre as árvores) ou tirolesa. Uma equipe altamente profissional ajuda a controlar a adrenalina dos aventureiros num percurso de mais de 1.200 metros.
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Dicas e curiosidades
o O Parque Nacional Villarrica, onde está o vulcão, ocupa uma área de 62 mil hectares. A cratera tem 200 metros de diâmetro; e a temperatura média de seu lago de lava é de 1.250º C. O cume do vulcão é coberto por um glaciar perene de 40 km² de extensão. Os mapuches costumavam venerar o vulcão, mas os missionários espanhóis diziam que lá dentro da cratera era a moradia do diabo.
o Uma das atrações logo na entrada de Pucón são as barracas de flores de madeira. Vistas de longe, parecem naturais. O artesanato existe há mais de 40 anos e vem sendo transmitido de pai para filho. Para confeccioná-las, o artesão usa uma espécie de apontador gigante, montando a flor com as aparas. A madeira usada é da família do bambu, embora não seja oca.
o A equipe da Revista Kalunga viajou a convite do Gran Hotel Pucón, Hotel del Lago, Villarrica Park Lake e LanChile, seguindo o roteiro estabelecido pelos anfitriões.
o Os três principais hotéis de Pucón têm características diferenciadas. Na praia do Lago Villarrica, o Gran Hotel Pucón, inaugurado em 1939, é um resort e clube com muitas atividades voltadas à família. O Hotel del Lago, uma quadra adiante, é mais moderno e possui um spa sofisticado e o único cassino da região. No caminho entre Villarrica e Pucón, o Villarrica Park Lake esparrama-se às margens do lago e destaca-se por seu spa e sua cozinha sofisticada.
o Para chegar a Pucón, por via aérea, a opção é voar São Paulo-Santiago e da capital chilena fazer conexão para Temuco, a 110 quilômetros - no verão, há vôos diretos de Santiago a Pucón. Por terra, uma opção seria entrar por Uruguaiana (RS), Paso de los Libres, no Uruguai; Santa Fé, Córdoba e Mendonza, na Argentina; Santiago, já no Chile, e dali rodar mais 870 quilômetros até Pucón.
Serviço
Gran Hotel Pucón (56.45) 441001; Hotel del Lago (56.45) 291000; Villarrica Park Lake (56.45) 450000; Fundo Huifquenco (56.45) 415040; LanChile - www.lanchile.com.br ou
www.dicasdeviagem.com.br
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