MEUS PEDIDOS MINHA CONTA CADASTRO DÚVIDAS LOJAS KALUNGA ATENDIMENTO
Busca de Cartuchos   Cotações On-Line

Digita aqui a sua busca

Turismo


Primeiro foram os diamantes, depois deles (ou por causa deles), quem fez a fama de Diamantina foi Chica da Silva e, mais recentemente, Juscelino Kubitschek de Oliveira
Texto e fotos: Pablo Villarrubia

Onde nasceu JK


Encravada entre as serras abruptas e rochosas da cordilheira do Espinhaço, a cidade de Diamantina (300 quilômetros ao norte de Belo Horizonte) ficou fora do roteiro turístico formado pelas antigas vilas de mineração de Ouro Preto, Tiradentes e Mariana, mas nem por isso deixa de ter seus atrativos. A começar pelas suas ladeiras e ruas calçadas com pedra-sabão, que fazem de qualquer caminhada um exercício perigoso: escorregões, torções e até algum osso quebrado podem compor o roteiro. Mas isso não deve desencorajar o caminhante, que tem muito para ver e visitar na antiga Arraial do Tijuco, surgida em meio à abundância de riquezas minerais da região, principalmente diamante e ouro, a partir de 1714.

Não há como observar os monumentos, ruas e casarios de Diamantina sem lembrar da figura do "contratador" - pessoa autorizada pela Coroa Lusitana para explorar e comercializar os diamantes das lavras -, com destaque para o nome de João Fernandes Vieira. Ele se tornou peça-chave na história regional ao se apaixonar perdidamente por Chica da Silva, escrava faceira e esperta, que também roubou o coração de muitos lusitanos abobalhados com a sua beleza e sensualidade. O contratador mandou construir para ela uma casa de 21 cômodos, onde viveram provavelmente de 1755 a 1770 e tiveram 13 filhos. Anexa à mansão de Chica, foi construída uma capela, talvez para seu uso privativo, dedicada a Santa Quitéria.

Diamantina estava no auge, com muitas casas, prédios públicos e igrejas de arquitetura requintada. Entre elas, a de Nossa Senhora do Bonfim, onde Chica da Silva era proibida de entrar, em nome da "moral e dos bons costumes" da época. Os militares, muito moralistas, achavam a escrava uma "devassa" e, para impedir sua entrada, vigiavam a igreja 24 horas por dia. Porém, depois de morta, ela ainda conseguiu enganar seus detratores e foi enterrada no cemitério da Igreja de São Francisco, privativa dos brancos.

Mas havia outras preocupações no Arraial do Tijuco, além das fofocas em torno de Chica da Silva. O historiador e ferreiro Ademir "Pão" revela: "As fraudes e contrabandos nas lavras fizeram com que a Coroa Portuguesa interviesse na região por volta de 1770. Foi decretada Lei da Real Extração, que substituía os todo-poderosos contratadores por intendentes com plenos poderes. Acabava a mamata de evitar os impostos pagos à Coroa. Um bom exemplo deste contrabando eram os famosos 'santos de pau oco', que ocultavam no seu interior ouro e diamantes para burlar o fisco."

O ciclo do diamante durou até 1860, quando Diamantina - o nome foi dado em 1831 - perdeu o posto de detentora da maior jazida do mundo ocidental, com mais de 3 milhões de quilates extraídos, para a África do Sul. Até então, as elites se revezavam no poder e desfrutavam de muitas benesses enquanto as cidades auríferas entravam em decadência.

Teatros e concertos musicais se multiplicavam, pois toda esta animação era algo muito apreciado na velha Diamantina, onde se vivia um clima verdadeiramente melódico. Muitos viajantes e aventureiros famosos passaram por Diamantina na época de seu apogeu, como o francês Saint-Hilaire; os alemães Spix e von Martius; e o britânico Richard Burton, avô do ator de Hollywood. Eles deixaram o registro do que viram em crônicas, publicadas no mundo inteiro.

Igrejas e cultos
Menos faustosos que os templos cristãos de Ouro Preto e Mariana, os de Diamantina apresentam uma singela arquitetura e decoração interna que reflete a dos povoados portugueses de outrora. Um exemplo é a Igreja de Nossa Senhora do Bonfim, datada de 1771, a única que não dispõe de um cemitério no seu interior. Há, no teto, o símbolo do Divino Espírito Santo, um Sagrado Coração e, abaixo, uma cabeça de anjo com asas. A imagem de Nossa Senhora das Dores, no altar, é venerada por muitas mulheres de Diamantina que lhe pedem graças e, quando as alcançam, oferecem seus cabelos a ela. Outra curiosidade é uma imagem de Cristo, faltando alguns dedos nas mãos e nos pés, possivelmente lavrada por Aleijadinho.

Na Igreja de Nossa Senhora do Amparo onde, desde 1773, é realizada a festa do Divino Espírito Santo, pela irmandade dos Pardos, há um belo presépio lusitano do século 18. É adornado com conchas trazidas da gruta do Salitre, hoje muito visitada pelos turistas. Nos altares, está uma estátua de Santa Bárbara, que segura nas mãos uma torre e um raio. A hagiografia conta que a santa foi presa pelo pai em uma torre, onde caiu um raio que a matou. No altar principal vemos Nossa Senhora do Amparo e um "Sol" de prata, que representa o esplendor divino e a descida do Espírito Santo.

A Igreja do Rosário (ex-capela dos pretos) é a mais antiga da cidade. Edificada em 1728, possui pinturas do guarda-mor José Soares de Araújo, objetos sacros preciosos e imagens laminadas a ouro, com destaque para a de Pietà, que fica na sacristia. Há na praça, em frente do templo, um velho cruzeiro de madeira incrustado no tronco de uma gameleira que, de acordo com uma lenda, nasceu milagrosamente em um de seus braços. É conhecido como Cruz da Gameleira. Ao lado está o chafariz, hoje restaurado, mas sem água, que teria sido a primeira fonte pública da cidade. Mais adiante, uma estátua de Juscelino Kubitschek saúda o povo.

Bisneto de imigrantes tchecos, JK nasceu em Diamantina em 1902. Filho de caixeiro-viajante, sua infância foi muito pobre. O ex-presidente não teve a oportunidade de ver, em 1999, sua terra reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade. Vale a pena uma visita a sua casa-museu e surpreender-se com o quarto diminuto onde dormia o futuro presidente da República e impulsor de Brasília. Amante da música, JK era amigo também dos seresteiros da cidade que, em sua homenagem, costumavam cantar a música "Peixe Vivo". Na sala da casa, vêem-se inúmeros instrumentos doados pelas famílias dos seresteiros, além de fotos de JK e dos músicos pelas ruas de Diamantina.

Mais informações:
www.diamantinanet.com.br
A maldição de Acaiaca

Uma das mais belas e, ao mesmo tempo, terríveis histórias de Diamantina é a da árvore sagrada Acaiaca - uma gigantesca peroba que abrigava as celebrações religiosas dos índios Puris - localizada no morro Ibytyra, hoje "Cruz das Almas". Sob o comando do cacique Cururupeba, os Puris resistiam bravamente aos ataques dos bandeirantes, até que foram traídos. O mameluco Tomaz Bueno contou aos bandeirantes que os índios só seriam vencidos se a árvore sagrada fosse destruída. Na lua cheia, quando a tribo se retirou para as margens do lago Ipiacica, para festejar as núpcias de Cajuby, filha do cacique, com o guerreiro Iepipo, os invasores derrubaram a árvore. Com isso, os Puris foram vítimas de uma terrível carnificina, inclusive o recém-casado Iepipo. A jovem Cajuby, que ficou viúva, fugiu levando no coração o ódio e o desejo de vingança.

Ainda houve tempo para que o pajé Pyrakussu lançasse uma eterna maldição sobre a povoação dos invasores; enquanto Cajuby mandava construir um palácio subterrâneo às margens do Rio Tijuco. Outras versões dizem que a mulher era, na verdade, uma princesa Inca que fugiu dos conquistadores espanhóis do Peru. Hoje, quem visitar a cidade, poderá ver, no fundo do Museu do Diamante (com objetos de arte sacra), um quintal cheio de mato com várias entradas subterrâneas. Dizem que algumas se conectam às várias igrejas e desembocam nas margens dos rios.
<Voltar ao Índice>



Os preços, as promoções, as condições de pagamento,
o frete e o estoque são válidos apenas para compras
via internet. Vendemos somente embalagens fechadas

Sobre a Kalunga|Revista Kalunga|Lojas Kalunga|Fale Conosco|Dúvidas|Mapa do Site|Trabalhe Conosco
Direitos Reservados à Kalunga Comércio e Indústria Gráfica Ltda.